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quinta-feira, 30 de julho de 2009

Chegamos à guerra?

Retirado do Ex-Blog do César Maia de ontem:

1. Venezuela suspende suas relações diplomáticas com a Colômbia e chama seu embaixador de volta.

2. Colômbia mostra vídeo onde líder guerrilheiro da FARC diz que financiou eleição de Correa do Equador.

3. Equador afirma que relações com Colômbia estão em suspenso pelo episódio onde o líder da FARC, Raul Reyes, caiu em combate.

4. Nicarágua oferece sua fronteira para o deposto presidente Zelaya provocar o governo de fato de Honduras.

5. Honduras corta relações com a Venezuela, que não retira seu pessoal da Tegucigalpa. Honduras entrega o caso ao ministério do interior.

6. Farc tinham armas compradas à Suécia pelas Forças Armadas da Venezuela.

7. O Peru está preparado para se defender "em todos os campos" depois de ter investido cerca de 660 milhões de dólares na modernização e armamento de suas Forças Armadas, disse o presidente Alan García, nesta terça-feira, ressaltando, no entanto, o caráter "pacífico" do seu país.

8. Zelaya deixou o acampamento e disse que vai internar-se nas montanhas da fronteira Nicarágua-Honduras e organizar o que chama "Milícias Populares de Resistência", formada por seus seguidores.

9. Evo Morales começa campanha junto a seus 40 mil cocaleiros, com grande colar de folhas de coca. Clique http://farm4.static.flickr.com/3527/3768081083_9007d71680_o.jpg

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Populismo e manipulação: Argentina em crise?

A transição democrática argentina abriu com três forças políticas. O tradicional binômio - União Cívica Radical (UCR), de origem liberal, depois social-liberal e social-democrata, o Partido Justicialista (PJ), peronista, com todas as suas correntes, da esquerda à direita, e o sindicalismo e uma Frente de Esquerda (FE). O governo Alfonsín (UCR) inaugurou o período democrático no final dos anos 80. Se por um lado estabeleceu as instituições democráticas, por outro, perdeu o controle da economia, com hiper-inflação. Com isso, antecipou em alguns meses a posse do novo presidente, Menem.

Menem surpreendeu nas primárias do PJ, enfrentando Cafiero, poderoso governador de Buenos Aires e favorito. Numa pré-campanha com todo tipo de populismo, tornou-se candidato do PJ. Vencer a UCR, num quadro como esse, era tarefa simples. Assume, se esquece das promessas e introduz a mais radical das políticas econômicas liberais. Seu superministro, Cavallo, aplica uma paridade fixa com o dólar e conversibilidade. A economia responde, cresce, a euforia interna e externa se traduz numa Argentina como parâmetro para todos.

Nesse processo a FE cresce, agrupando segmentos social-democratas e socialistas e as Mães da Praça de Maio, com Gabriela Meijide à frente. Confronta Menem, em sua reeleição, com Bordon e quase provoca um segundo turno. O quadro econômico argentino vai se desfazendo e a conversibilidade sendo desmontada. Menem desiste de um terceiro mandato e o PJ apresenta Duhalde, governador da província de Buenos Aires (quase 40% do eleitorado). Menem torce por sua derrota, certo que voltaria consagrado em outra eleição.

A FE se alia a UCR, já social-democrata. Nas primárias vence o prefeito de Buenos Aires-DF, De La Rua, um político sem cores, um administrador regular, mas que fazia o contraponto da ética com Menem. Torna-se presidente com o líder da FE, Chacho Álvarez, como vice (que preside o senado). Meijide perde a eleição para governadora da província de Buenos Aires. Com poucos meses, instaura-se a crise política por escândalo no senado e a passividade de De La Rua. Seu vice renuncia em nome da ética.

O processo de desmanche da conversibilidade prossegue até que explode e junto com ele os protestos, até a anarquia pela desintegração dos depósitos da população. Retorna Cavallo e o quadro piora. A Argentina para, no meio do caos. De La Rua renuncia e sai fugido do palácio, de helicóptero. Os presidentes da câmara e senado assumem e horas depois renunciam. Até que se busca em Duhalde a solução. Este assume e enfrenta a crise com o reconhecimento de apenas 25% da dívida externa, dando prazo aos credores. Com seu ministro Lavagna estabelece bases realistas até a situação caminha para a normalização.

Convoca eleição presidencial, e como máximo respaldo, indica um governador de pequena província, Kirchner, do PJ, que garantiria a continuidade de suas políticas com Lavagna e o retorno de Duhalde na próxima eleição. Menem passa para o segundo turno e desiste. A economia mundial entra em fase ascendente. Kirchner adota medidas populistas, que impulsionam o crescimento para 8% a 9%, com uma inflação crescente e preços tabelados da energia e combustíveis.

Adquire enorme popularidade. Passa a governar por lei delegada e sem oposição. Rompe com Duhalde e Lavagna e designa sua mulher, Cristina, para a presidência, de forma a que possa voltar presidente na eleição seguinte. Desintegra o PJ, que passa a ter sublegendas autônomas, e articula frentes regionais com partidos pequenos, desmontando o quadro partidário. A UCR, desmoralizada com De La Rua, se desmonta e adere em grande medida a Kirchner. O quadro partidário desaparece na Argentina, transformando-se em forças eleitorais agrupadas pragmaticamente.

A economia argentina, já em 2008, dá sinais de esgotamento, e com a crise mundial, se desarruma, levando com ela Cristina para uma forte rejeição. O confronto com o setor rural se aprofunda. A oposição se reagrupa em dois vetores mesclados sob diversas lideranças, como o novo prefeito de Buenos Aires-DF, Macri, a deputada Carrió, o senador Reutemann e o deputado Narváez, empresário que adquire no vácuo, popularidade.

Kirchner, temeroso da derrota na eleição parlamentar de outubro (50% da Câmara e 1/3 do senador) de 2009, e de perder a maioria no Congresso, resolve antecipar as eleições para 28 de junho, de forma a evitar o pior. Propõe uma eleição plebiscitária do tipo "eu ou o caos". Estabelece listas testemunhais (com governadores e prefeitos na cabeça para dar votos e não assumirem os mandatos). As pesquisas apontam a derrota dos Kirchner, mas não necessariamente a perda de maioria no Congresso.

É isso o que o eleitor argentino decidirá dia 28: se a vitória das oposições (provável) será suficiente para retirar a maioria dos Kirchner, ou não. Na medida em que Kirchner oferece a disjuntiva "eu ou o caos", constrói-se um clima de incertezas quanto a estabilidade futura política e econômica argentina. Este binário de incertezas -maioria e estabilidade- começa a ser desvendado a partir da noite do dia 28 de junho próximo. O governo brasileiro acompanha silencioso esse processo. Os empresários nem tanto. Os políticos olham para dentro, para seus problemas. E La Nave Va...