sexta-feira, 13 de março de 2009

Lembranças

Palavras, palavras que embalam o que um dia já foi verbo e hoje é apenas adjetivo. Bonito, calmo, sóbrio... Elas apenas enfeitam a minha janela, quando vejo o passar do tempo e o ruido do vento atravessando a fresta para me dizer que mais um dia se vai e outro vem vindo.

Lembranças... A memória anda carregada delas. O disco rígido, meio doido com esse vírus esquisito que se instala na máquina de tempos em tempos, tenta produzir alguma coisa e... NADA. O teclado pifa de tanto tleck, tleck... E haja caneta e papel para botar para fora essas sensações de que eu vivo me prendendo... Viagens...

Faço uma inspeção de segurança para saber se tudo está legal. Descubro que tem algo faltando. As pessoas mais antigas que afagaram os cabelos da vida de outrora de criança já não estão mais presentes. Tento esquecer que a vida leva e traz certas pessoas sempre e,... Não consigo. Bate uma saudade danada... Choro... As lágrimas me lavam o rosto. Eu juro que tudo passa... Mas que coisa?!

Deve ser coisa de momento. Preciso me acautelar de certas pessoas que me afeiçoo e acho que elas jamais poderão (ou deverão) sair de perto de mim, mas nem sempre há o mesmo plano para tudo. Vinícius vem e me diz que os encontros são todos desencontrados mesmo. E viver se aprende vivendo!

Quem sabe o próximo trem. Será que ele traz uma banda que toque uma música alegre que me afaste a tristesa? É meio confuso, pois eu não sei se isso é só um sonho (ah, eu vivo tendo esses sonhos) ou se eu estou acordado mesmo. Que coisa mesmo!

Vou pedir, quem sabe, de presente uma foto velha, para manter todos sempre bem perto de mim. Sabe-se lá eu ganhe uma máquina do tempo e possa voltar ao passado para ter mais tempo com aquelas pessoas que eu tanto tenho vontade de reencontrar. Espero que sim!

Ouço o barulho do trem. "Trucktruck, trucktruck, trucktruck, trucktruck... Treleco, treleco, treleco treleco". Será que eu estou dentro de um trem de memórias da minha vida? Pode ser que eu já esteja dentro do vagão da saudade na máquina do tempo que eu pedi. Agora mesmo passa um filme da minha vida inteira. Que sofrimento... Minha melancolia só aumenta...

Ainda lembro do futebol no campinho, lá em Brasília. Lembro da bicicleta, da rampa de skate. Das mangas verdes que furtávamos... Do jogo de béti, atrás do bloco D. E do dia em que ganhamos uma porção de bolas de tênis de um senhor de idade que morava no prédio em frente? Mais futebol, figurinhas, que colávamos nas fichas de cerveja com cera de vela. Os bate-bolas...

"Maquinista, quero descer na próxima estação, por favor". Preciso chegar em casa para ver se estou mesmo acordado ou se sonhei alto. E quero parar de sofrer com essas lembranças que não voltam mais.

Ah vida... Quisera eu fosse assim tão simples relembrar...

Um comentário:

Thales B. D'Oliveira disse...

Este é o primeiro post que foge à regra de escrever sobre Política, Filosofia e religião. Mas deve ser o único, uma vez que não é tão destoante assim. Eu falo sobre filosofia também, afinal, o que é o tempo senão uma abstração humana?