sexta-feira, 6 de março de 2009

Os resquícios da corrupção

Ou como dormem aqueles que usam recursos públicos para enriquecer



Esta semana assisti uma reportagem sobre cidades que ficam demasiado separadas dos grandes centros e tem algumas peculiaridades que nos fazem corar de vergonha. Quer ver como você, que vive reclamando do seu salário, pode se sentir um pouco melhor? Em uma dessas cidades, um salário de R$ 40 é pago mensalmente para que uma pessoa faça todas as atividades domésticas pertinentes em uma residência durante um mês inteiro. Isso é o de menos. O pior é que essas mesmas pessoas, que recebem este curto dinheiro, precisam pagar módicos R$ 8 por um quilo de tomate. É sério: Tem gente lá que se contenta em comer arroz com caldo de galinha todos os dias. Essa gente humilde, que nenhum estudo tem, se contenta com isso porque não há alternativa. Ou melhor, há. Mas como tem pouco ou nenhum estudo, não podem prestar concurso público.

Diante da situação, pergunto: Como um político ainda consegue trabalhar no congresso, todos os dias, passar meia semana e voltar para casa, depois de tomar um avião pago com o dinheiro dos impostos, e passar o resto da semana sem fazer nada, de pernas para o ar? Como ainda podem existir pessoas como os deputados Edmar Moreira e Jáder Barbalho e o senador Renan Calheiros? Pessoas que, como se sabe, estão arroladas em escândalos de corrupção, lavagem de dinheiro? Como ainda têm a desfaçatez de invadir o salão da casa, que deveria ser branca, alva, em termos de pureza de seus membros, principalmente pela posição em que ocupam seus membros?

Pensando nisso, vejo que não pode ser outra a fonte de tanta corrupção o próprio povo quando escolhe os mais "espertos", aqueles que dispensam apresentações, para os representar. Certa vez, num passado não tão distante assim, estava adentrando em um bar, na companhia de um colega, e vi um cidadão defender Lula, diante dos escândalos de corrupção e antes da reeleição. Seria interessante que ele o defendesse caladamente, sem incitar maiores comentários, principalmente levando-se em consideração a sua falta de estudo (não tem a 4ª série primária). Porém, o comentário fora desastroso: "O 'outro' roubou por 8 anos, deixa 'ele' roubar por mais 4". Mandei que sumisse de minha frente pois seu desastroso comentário foi algo, além de extremo mau gosto, a maior sandice que eu já tinha escutado na vida.

A pergunta que faço a meus leitores é uma só, desde a criação deste blog: O crime compensa?

Na época em que disputou sua primeira eleição bem sucedida, Lula prometeu não descansar enquanto houvesse um só brasileiro que não fizesse três refeições diárias satisfatórias. Até hoje, o presidente já distribuiu camisinhas, bolsas sei-lá-o-que, palavras, palavras e mais palavras. O que será que ainda sai da cartola desse mágico? Algum coelho?

Nestes tempos de crise finaceira, vejo também uma pequena crise nos brasileiros. A crise de ética. Esta se aprofunda a cada nova época e a cada novo presidente. Vejam: Na época de PC Farias, os chamados "caras-pintadas", "jovens manipulados" da UNE (pode-se colocar assim?), saíram às ruas para denunciar o governo de Fernando Collor de Melo. Na época, seu crime fora receber um fiat Elba. A acusação corria para salvar uma empresa e ganhar alguma coisa em troca do governo. Pois bem. Passados alguns anos depois, Lula (e seus governados da presidência), conseguiu ser artífice de um mega-escândalo de mais de 4 milhões de reais. Alguém viu um "cara-pintada" por ai?

Alguns articulistas postaram nota alegando que o povo está sedado da corrupção que se desenha. Desvios da ordem dos milhões de reais são aceitos com a mais natural das expressões. Pesquisa da revista Veja de um tempo atrás mostrou que alguns brasileiros de escolaridade mais baixa até aceitam como boa coisa o fato de políticos usarem o cargo conquistado para proveito próprio. Ou seja, eles não precisam, necessariamente, proteger o povo. Note-se que uma das funções do Estado é "Promover o bem-estar social do povo", justamente o que o povo mais carente precisa.

Agora voltemos ao caso da cidadedo Acre. Um médico que foi até a cidade falou com uma jovem mãe, que recebia, de tempos em tempos, R$ 1500, aproximadamente. Aquele dinheiro tão rico ela só via quando ficava grávida. Mesmo sem perspectiva de uma vida melhor para sua prole, o que a evolução coloca como um dos preceitos básicos que toda a mulher procura se torna algo inócuo, ou seja, a segurança de seus filhos é o dinheiro que o estado paga pela sua gravidez. E para ela estaria tudo bem, se o médico não a tivesse convencido a parar de gerar filhos: "eu me sinto arrependida de ter feito aquela operação, doutor", falava a mulher, no final.

Em outro ponto, o repórter estava em uma cidade do nordeste onde o rio passa bem ao lado. Nas casas, nenhuma gota de água nas torneiras. Banho, então, se toma mais quando chove. Mas o governo cobra uma conta de água. como se aquele pessoal pudesse pagar uma conta de um recurso inexistente. As desculpas são sempre as mesmas: "Precisamos de recursos para implantar uma rede de água e esgoto aqui". De semana em semana chega um caminhão-pipa com água para abastecer alguns baldes vazios. E a promessa se renova a cada visita do caminhão: A água vai chegar logo. Para mim, ver toda aquela gente lutando por água é uma coisa inimaginável.

Então chega o final da matéria. Eu reflito o que ocorreu e chego a conclusão de que o povo está perdendo a sua crença nas autoridades. Perdendo a chance de ver a sua situação melhorar, perdem também uma boa parte de suas vidas. Afinal, não conseguem mais esperar por nada. E com isso, as pessoas se vêem diante de uma nova situação: Sem trabalho, vislumbram uma nova possibilidade: emigrar para outros centros, onde abundam os recursos. Outras cidades precisam ser levantadas, mais recursos, baderna... Não há dinheiro que aguente!

De onde vem esse dinheiro? IMPOSTOS. É isso que sustenta a corrupção. Muitos impostos para poucos bolsos. Nenhuma fiscalização, nenhum tipo de comedimento, nada! Apenas uns ficando mais ricos e outros mais pobres.

Ao contrário disso tudo estão os países mais modernos, ou de capitalismo mais moderno. Apesar da crise, os EUA ainda pagam pouco por uma ligação de Celular (ao contrário do nosso país), por água e por luz. Compram carros com mais facilidades e em menos tempo que nós. Recebem muito mais que nós. Em alguns lugares, o salário de R$ 40 da nossa amiga do início do post é, dentro do espaço de um mês, equivalente ao salário de uma outra pessoa, nos EUA, dentro do espaço de algumas horas. Como outra pessoa havia falado na matéria, no Rio, uma diária pode valer R$ 60.

Como mudar o nosso futuro é simples. Basta bom senso e cabeça no lugar. Mais olho e cérebro antes e depois das eleições. Quem deve se sentir fiscalizado é o político que você elegeu e não você. Quem deve ser jogado contra a parede é aquele mesmo vereador ou deputado que você colocou dentro do legislativo. O prefeito que você elegeu em 2008 também precisa de você, ainda que você não tenha votado nele. FISCALIZE-O.

Se tudo ocorrer bem, em breve seu salário poderá estar na casa dos milhares de reais (como é nos EUA) e a situação daquela cidade lá do interior do Acre — que ainda fica 7 dias distante da cidade mais "civilizada" dali — vai ser tão feliz quanto a sua cidade é hoje.

Acredite que você pode mudar.

O nosso futuro depende de você!

Um comentário:

Thales B. D'Oliveira disse...

Esse foi o exemplo mais interessante que eu vi esta semana. Mas ainda tenho outra na cartola que pretendo fazer no meu próximo post, sobre a corrupção que as pessoas fazem por conta própria, ou seja, as negociatas do consórcio, as associações para o furto do Estado, etc.

Se você tem alguma denúncia, faça através do meu e-mail thalesbruno@yahoo.com.br